sexta-feira, 10 de abril de 2009

Amor entregue, vida eterna...

Olho-Te, Senhor
Abraças-me comum carinhoso abraço,
Me encorajas a caminhar,
A vencer meusmedos e vaidades.
Tuas mãos me auqcem o coração
Teu lado aberto sara minhas feridas,
Perdoa meuspecado,
Teu rosto me atrai a Ti
Nos irmãosque vivem Tua Paixão
Ora por inveja, ora por traição.
Mas Tu, Senhor, não permaneces morto,
Tu vives para sempre, por toda a eternidade.
Que existe, Senhor, mais belo que o Teu Amor?
Nada mais belo existe.
Eu Te amo, Senhor, mas aumenta o meu amor
Pois só Tu és verdadeiro Amor
A vida é fruto do Teu Amor,
Nasce do sangue que a terra bebeu
Quando Teulado foi trespassado,
Quando a minha maldade Te rasgou o peito
E Tu, abriste os braços para envolver a humanidade
Que Te pregava e escarnecia de Ti.

Teu amor é tão forte, Senhor
Que invade todos os que Te contenplam
E se deixam seduzir pela Tua obediência
Pela Tua presença viva e constante.
Senhor, que felicidade me dá esta certeza
De que por mais que Te abandone
Tu nunca me abandonarás,
Pois só Tu és a Vida,
E para sempre me acompanhas
Mesmo que me afaste de Ti.

quarta-feira, 18 de março de 2009

“Abner chamou Joab e disse-lhe: «Até quando irá a espada ceifar vidas? Não sabes que isto só nos pode acarretar tristeza? Não será já tempo de dizeres ao povo que deixe de perseguir os seus irmãos?» ” 2 Sm 2, 26

Quantas vidas, ainda hoje, caiem pela espada? Quantos corações são beijados pela morte? Quantos sorrisos são desfeitos e derrubados ou porque professam outra religião, ou porque pertencem a outros ideais políticos? Até quando, Senhor, o homem se esquecerá que é criatura e que nada resolve com guerras?
Ao ler um artigo do jornalista Carlos Reis, intitulado Recrutadas à força e maltratadas, a tristeza e um pouco de revolta invadiram-me, porque, segundo um estudo, existem cerca de 250 mil crianças que são envolvidas em conflitos em todo o mundo, muitas delas reptadas das escolas para serem forçadas a servir de combatentes, escravos sexuais ou criados. Que brutalidade! Que falta de escrúpulos e humanidade!
Quem tem o direito de roubar a adolescência e a vida a qualquer criança? Quem tem o direito de roubar a pureza a uma criança para a transformar em brutalidade, em ódio e vingança? Ninguém. No entanto, isto acontece e nós “comemos e calamo-nos”.
Continuando a minha leitura, deparei-me com outro artigo, agora de Michael Amaladoss, que se intitulava Para onde vai o país?. Este abordava a situação de violência na Índia, uma Índia dividida entre o poder politico e económico, que pretende ansiosamente assumir-se na comunidade das nações e a massa popular dilacerada pela multiplicidade de origens étnicas, castas e grupos religiosos e pelo terrorismo.
Mais uma bomba caiu em cima de mim e fez surgir uma questão: “Onde está a justiça?”. Uma resposta à qual não consigo responder se apenas me guiar por critérios humanos, critérios que se dizem incorruptíveis, mas que a corrupção persuade.

terça-feira, 10 de março de 2009

Onde a voz é calada...

Ícaro era um jovem nascido numa aldeia no sopé de uma serra, que cresceu envolvido pela Natureza. Sua família era uma simples família de camponeses. Com toda a sua envolvência familiar, Ícaro ganha o gosto pelo estudo e é fascinado pela geografia.
Quando Ícaro chegou ao final do ensino secundário, deixou falar o seu coração e abraçou a vida religiosa e foi estudar para uma comunidade, afastada da sua terra. Este jovem era muito calado e fechava-se muito facilmente.
Após algum tempo de vida comunitária e com algumas tentativas de relacionamento com os colegas falhadas, este começa a isolar-se. Os seus superiores incentivam toda a comunidade para que se fortalecesse as relações e o diálogo, a abertura aos outros.
Ícaro lança-se novamente na sua abertura aos colegas e convida-os para sair. A sua intenção era fomentar o diálogo, abrir-se e dar-se um pouco a conhecer. No entanto, Ícaro por mais que tente falar, partilhar as suas experiências, os colegas que o acompanha calam-no, abafam a sua voz com o entusiasmo com que se expressam, esquecendo-se da sua presença.
Ícaro sente-se a mais, desiste de se expressar e caminha como mudo, é obrigado a isolar-se incentivado não só com palavras mas também com obras e actos.
Ícaro é acusado de isolamento, mas será ele o culpado do isolamento? Onde está a essência do isolamento? Até quando a sua voz é calada e o seu grito emudecido? Será que este jovem terá de se cansar em vão? E perder o seu tempo para nada mais que aumentar o seu sofrimento perante o desprezo?
Não te cales, Ícaro! Solta o teu grito mesmo que ninguém te queira escutar. Solta a dor e o sofrimento que habita o teu coração mesmo que sozinho estejas. A nossa vida, amigo, é como um rio que corre e salta ao descer a serra e vai alegre a caminho do mar, mas ao longo do seu curso encontra os açudes que o fazem parar e esperar. Contudo não desiste da sua alegria para atingir o mar.
Amigo, Coragem! Lança o grito de esperança e serás escutado…

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Caminhando para a vida...

Entrámos no tempo da Quaresma e de novo as três práticas penitenciais – oração, esmola e jejum – apresentam-se para nos prepararmos de maneira a melhor celebrar a Páscoa do Senhor.
Na sua mensagem quaresmal, o Papa Bento XVI “valorizou particularmente o jejum, acentuando que ele não é mera prática do passado mas um meio que nos é proposto a todos nós, entorpecidos pelo pecado e suas consequências, como muito conveniente para restabelecermos a amizade com o Senhor” (Nota Pastoral de D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra).
Este caminho quaresmal convida-nos à prática do jejum, contudo o profeta Isaías interpela-nos para que não nos deixemos envolver num jejum exterior, esquecendo-nos de que o verdadeiro jejum deve começar no coração e nas relações com os irmãos. “Jejuais entre rixas e disputas, dando bofetadas sem dó nem piedade. Não jejueis como tendes feito até hoje, se quereis que a vossa voz seja ouvida no alto. (…) O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injustamente, livrá-los do jugo que levam às costas, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opressão, repartir o teu pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não desprezar o teu irmão.” (Is 58, 4;6-7).
Neste sentido, D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, diz-nos que “o jejum – nas várias formas expressivas da sociedade de vida e de consumo – torna-se oração e comunhão. Reaviva o amor. Abre no coração a fonte da partilha. Não faz barulho, mas dá frutos de justiça e de caridade.” Frutos estes que são “respostas de generosidade e de esperança que repartam o pão com os que têm fome e enchem o nosso coração de vida” (Mensagem quaresmal de D. António Francisco, Bispo de Aveiro).
A Quaresma já começou, não esperemos mais para começar a converter o nosso coração, com o jejum das obras do mal, do pecado, com a penitência que dá pão aos que não o têm. “Que o medo não nos vença e que o desânimo não se sobreponha à audácia da caridade”, lembra-nos D. António Francisco. Caminhemos com coragem ao longo desta Quaresma, com o olhar posto na Páscoa de Cristo, mas não queiramos atingir a ressurreição sem passar pela cruz, pois isso não é possível. Se não morrermos como poderemos nós ressuscitar?

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Sempre dando graças ao Deus que me criou...

A tristeza invadiu-me o coração neste dia em que dou graças a Deus pelo dom da minha vida, porque duas das pessoas que habitam o meu coração estão presas a uma cama de hospital.
Uma delas é a minha avó paterna, que com oitenta e oito anos, vai ter que ser operada ao fémur, pois uma queda fez com que o partisse e como não existem possibilidades dele colar naturalmente, vai ser sujeita a uma operação cirúrgica.
A outra é um amigo de vinte e um anos, que recebi hoje a notícia, que está em Lisboa em coma. Este amigo chama-se Luís Cruz, natural da freguesia de Penalva de Alva. Estava a fazer estágio, quando o jipe onde viajava, com três colegas de curso, foi atingido por um deslizamento de terras, que os atirou por uma “ribanceira”. Os outros três saíram sem sequelas de maior, mas o Luís entrou em coma.
Já andava um pouco agitado por causa de acontecimentos recentes, contudo nenhum se comparava com esta notícia da operação a que vai ser sujeita a minha avó. Notícia que afectou toda a família, pois temos consciência que vai ser uma operação de alto risco, devido à idade e ao feitio da minha avó, que pode roubar-me a avó. Apesar de toda a agitação em torno da situação da minha avó, mais uma onda de turbulência veio atingir-me, a notícia do coma do meu amigo Luís. Como é tão frágil o homem, Senhor! Como de um momento para o outro, tudo se altera!
Senhor, dou-Te graças pelo dom da vida que me concedeste, pela caminhada que me tens ajudado a fazer ao longo destes vinte anos. Como não posso esquecer as pessoas que colocaste ao meu lado, Te peço por todas elas, nomeadamente pelos meus pais, que foram teus colaboradores, para que continuem a ser exemplo e alegria para a minha caminhada, pela minha avó e pelo Luís, para que lhes concedas a saúde de que necessitam, e aos seus familiares e amigos a paciência e a coragem, para que os ajudem a passar este momento difícil.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

"Um pouco de fermento leveda toda a massa". Gl 5, 9

Ao dirigir-se aos gálatas, o Apóstolo Paulo interpelou-me com a sua palavra e trouxe-me à memória tantos como ele, que se entregaram totalmente ao Evangelho de Jesus Cristo e que o seu Sangue foi e é fermento num mundo incrédulo e corrupto.
Mas quem poderá dar tanta fé e vida a estes que não receiam perdê-la? Quem será a sua força e Quem lhe encherá o coração de alegria e esperança, de pureza e de amor, de verdade e confiança? Só Aquele que nos amou tanto que se entregou por nós numa cruz e que três dias depois ressuscitou. Só Cristo que se fez homem sendo verdadeiro Deus.
Senhor, verdadeira vida e verdadeiro fermento, o Vosso Sangue fez germinar a semente que a Vossa Palavra semeou, Vos dou graças pelo Amor que me tendes e Vos peço que me ajudais a ser fermento no meio do mundo que me rodeia.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O Luto passa, a certeza da vida permanece...!

O luto invadiu o Seminário Diocesano de Leiria, espalhou-se pela diocese de Leiria-Fátima e apoderou-se da música litúrgica, pois faleceu o Padre Carlos Silva, que dedicou toda a sua vida à música. A sua obra é impressionante, a sua dedicação exemplar e a sua partida inesperada. Deixa-nos uma vida banhada pela musicalidade do amor e da dedicação com que se entregou à música para louvar a Deus.
“Vós, inexperientes, aprendei a prudência, e vós, insensatos, aprendei a inteligência”, recorda-nos o Livro dos Provérbios. São tão belas estas palavras que Deus nos quis dizer. O Cónego Carlos era um mestre que ensinou durante a sua vida as gerações vindouras a aprenderem a prudência e a fazerem a passagem da insensatez à inteligência.
Senhor, que o testemunho do Padre Carlos Silva seja para mim motivo de mudança e de incentivo à busca da inteligência, pois a busca da inteligência não se faz parado à espera que ela venha, mas sim indo ao seu encontro, entregando-se-lhe inteiramente e sem medo, porque Vós estais ao nosso lado e conVosco fazem-se maravilhas que nós nunca as conseguiríamos concretizar sozinhos.
O luto está em mim, mas a certeza de que o Padre Carlos Silva já está junto de Vós habita o meu coração e me faz cantar suas músicas de louvor.